terça-feira, 16 de outubro de 2012

Acaso

Eu nem estava com a intenção de pôr pra fora meu jantar. Saímos para jantar num lugar agradável e requintado que até então não conhecíamos. Eu estava zangada por ter ido quase forçadamente, mas estava desanimada e até tonta demais pra ir até o banheiro. Na saída, ele foi ao banheiro masculino e, ja que o banheiro feminino era ao lado, eu fui também pra não ficar sozinha esperando.

Ao entrar, fiz meu caminho automaticamente e me inclinei. Depois da primeira enxurrada de chocolate do petit gateau eu acordei: Eu comi tanto assim? Em pouco tempo todo o jantar e a sobremesa estavam bem longe de mim e eu estava me olhando no espelho. Minha cabeça estava girando, ou melhor, tudo estava girando enquanto eu tentava me manter parada. Pálida. Vazia. Passei um pouco de cor nos lábios e nas bochechas, coloquei um sorrisinho que encontrei na bolsa e saí. 

"De tanto fingir que não me importo, aprendi a não me importar de verdade."

6 comentários:

  1. de vez em quando/sempre o hábito se torna tão forte que nem paramos para pensar no que estamos fazendo. é dificil quebrar um padrão qndo o errado é o único lado que vc conhece ou vê.
    te desejo força para que vc consiga derrotar todos os demônios na sua cabeça.
    seja forte e não desista de vc.
    bjosss.

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  5. Olá! Fiquei muito feliz de ler o seu comentário! Que tal a gente marcar de se ver? Você foi a pessoa mais especial que eu conheci nesse universo ana/mia: a mais profunda - e a com o maior dom literário também. Daí eu poderia te dar o meu exemplar de Um toque na estrela, já que você gostou daquele trecho. O triste é que eu comprei usado... =/ já com a capa um tanto danificada. Mas eu queria poder te dar qualquer coisa, qualquer coisa que fizesse você se sentir melhor. Um abraço, como você disse, um abraço com certeza...!
    Eu fiquei me sentindo realmente consolada ao saber que alguma coisa que eu escrevi te ajudou a refletir e até mesmo fez você se sentir mais alegre. O que mais me dói com relação a mulheres com anorexia e bulimia é a minha imensa sensação de impotência. Saber que uma pessoa de quem eu realmente gosto, que é realmente preciosa, passa por tudo isso, e pior, que a gente vive numa sociedade tão brutalmente cega, que as pessoas à volta simplesmente não percebem, isso é aterrador. Queria saber quantas vidas únicas, preciosas, de gente honesta e talentosa como você, não foram desperdiçadas assim... as pessoas são tão vazias que, não importa o quanto você mereça, elas simplesmente não te reconhecem no seu valor. E isso me assusta.
    Eu lembro quando eu mesma comecei a blogar, 8 anos atrás. Era um grito de desespero para que as pessoas me notassem. Eu estava sofrendo, eu estava urrando de dor, e parecia que absolutamente ninguém se importava. Então, eu pude conhecer pessoas ótimas... eu queria tanto que você fosse uma delas! Se vc for daqui de São Paulo, vai ser fácil. Se não for, quem sabe em um feriado prolongado?
    Eu gostei do seu post a respeito daquela frase. Os dias mais tristes da minha vida são sempre o meu aniversário. São quando eu fico comparando o quase-em-branco no qual a data passa com a festa bonita e cheia de gente que eu queria ter... a absoluta falta de presentes, até do meu próprio pai.
    Eu saí lendo os seus posts anteriores um atrás do outro - como sempre -, suas cartas para o seu pai e o seu avô, e... só o que eu posso falar é que você tem o dom de deixar a gente sem palavras para comentar os seus posts, que já são tão completos em si mesmos, que realmente dispensam comentários.
    Sou um fracasso nesse negócio de "fingir que não me importo". Todos me perguntam, todo o tempo, o que é que eu tenho, pq estou triste, etc, até quando eu estou absolutamente normal. Acho que os anos de depressão ficaram entalhados na minha expressão facial. Eu nunca fingi estar bem... mas confesso q consegui atenção assim, até mesmo na forma de piedade, mas consegui.
    Nossa, eu sinto tanta falta de blogar assim francamente, falando de mim sem medo de julgamento s2
    Sobre o seu comentário no meu blog. A minha intenção é não voltar a atualizá-lo, pq eu estou tentando desviar o foco do meu corpo e simplesmente voltar ao meu projeto de vida antes da dismorfia corporal. Conquistar coisas como sair de casa, dar um carro para a minha mãe, ter uma carreira acadêmica bem-sucedida. Tento me convencer d q eu ñ tenho uma obrigação de ser uma atriz de cinema na aparência e q eu simplesmente tenho q começar a usar o meu tempo, o meu dinheiro, a minha energia mental, para realizar meus sonhos. Se eu não fizer isso, qdo eu vou fazer as viagens q desejo? Qdo eu vou poder sair de casa? E assim por diante. Mas, uma voz na minha cabeça não pára de insistir que eu sou uma fracassada e que o meu corpo é a imagem da derrota.
    Peraí que o blogspot deu o limite de caracteres, mas eu já continuo ^^

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  6. Se eu continuo me sentindo alegre? Bom, digamos que sim, de um modo geral, principalmente ao longo dos últimos 2 meses e meio. Sair da empresa em q eu trabalhava me fez um bem danado! E também, resolver não me deixar abalar por problemas acima da minha possibilidade de resolver foi outra decisão importante. Antes, ela parecia fazer sentido diante de uma análise racional, mas eu não conseguia aplicar, viver isso, sabe? Mas agora eu consigo. (Não a totalidade do tempo, mas uma boa parte dele) Por isso eu tenho me sentido alegre acima da média... com essa ou aquela baixa, claro. Uma amiga me disse "eu não acredito em felicidade, mas em momentos felizes". Não sei se a frase é dela, mas marcou. Por isso, estou tentando multiplicar meus momentos felizes. E deus sabe o quanto eu gostaria de multiplicar os seus também.
    Vou deixar meus dados para vc. Meu e-mail é katiagc91@gmail.com, celular 966340450. E eu tenho muito, muito carinho por ti guria. Se cuida, se cuida mesmo pq a vida é dura mas vc merece demais.
    Não falei tudo o q eu queria, com base nos seus posts, mas vou ficando por aqui.
    Beijos =*****

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