domingo, 18 de julho de 2010

manequins

Poucos minutos após ter entrado pelas enormes portas de vidro do principal shopping da cidade, percebi que não tinha sido uma ideia bem pensada. Tentei fingir que estava animada e olhava para os manequins esbeltos d as vitrines desejando estar em qualquer outro lugar.
Manequins, ah manequins... Eternamente magros, sem pensamentos, sentimentos, doenças... Expostos, mas sempre sorridentes; cuidadosamente moldados para a expressão mais real possível. Têm olhos bonitos que nunca verão os olhares de reprovação; têm cabelos brilhantes que nunca cairão; têm rostos rosados e maquiados que nunca serão borrados por lágrimas...

E eles estavam por toda parte. Cores, cabelos, maquiagem, roupas diferentes, mas ainda assim manequins bonitos. Parecia que não tinha lugar para uma garota ainda baixinha sobre o seu salto de dez centímetros que quando criança falava em ser estilista...
As pessoas pareciam me olhar, me reprovar, talvez pelo meu corpo ridículo dentro daquela roupa larga. Eu me sentia deslocada, uma completa estranha entre pessoas comuns... Eu prestava atenção em detalhes que passavam despercebidos aos olhares dos meus pais: pernas que nunca seriam as minhas, braços que de tão finos aparentava serem frágeis, rostos bonitos e muito delicados. Pessoas aparentemente perfeitas como eu jamais poderia ser.
A comida nunca teve um gosto tão sem graça. Descia como fel, me fazendo segurar as lágrimas a cada vez que levava o garfo à boca. Eu queria fugir dali o mais depressa possível. Saí discretamente da mesa com a desculpa de comprar algo para beber. O caminho ao banheiro era o menos apavorante.

Um comentário: